giovedì, marzo 05, 2009
Bosco Velho Azul
pra você ver,
quando e se, um dia, aquela certeza incontida tomar a forma esculpida de gente grande, bonita...
quando e se um dia as manchas do guache azul, figura de um rosto de velho, surgir de repente no espelho e a água do banho secar, e o vizinho de baixo afogar-se sob o teto mofado alagado, e o homem do carro da esquina descer no palco do inferno pro diabo aplaudir empolgado, e ouvindo piada viúva, gargalhar debochado, gostoso, e o navio negreiro aproar na Glória da Guanabara quando o farol lampejar e o portão da cadeia se abrir num rugido estridente e distante. Somente então, quando e se este dia chegar, vai encontrar-me sorrindo, pronto pra lhe abraçar.
bb
lunedì, aprile 14, 2008
Sambentistas do Samba

2007.02.28
Aqui na Itália torci pelo Roma porque era o time de Falcão, depois passei pro Inter de Ronaldo e agora tenho simpatia pelo Milan de Kaká. Sou brasileiro. Fui corintiano roxo. No Rio Grande do Norte torcia pro América. Adorava o Senna e Ulysses Guimarães. Fui imperador e escravo do Babilônia e sou Cidadão Natalense. Em São Paulo me perdi, em Cambridge eu me busquei, em Berlim ich war ein Berliner, em Veneza podia até morrer. Mas se existe uma camisa que visto e que é como a minha pele, algo que me define e me liberta, que me inspira e do qual me orgulho; se ainda sou alguma coisa que sempre fui e sempre serei, então devo dizer que sou São-Bentista, ou como prefiro grafar, Sambentista, porque o São Bento dá Samba. E agora não sambo mais sozinho, tem o surdo do Rato e o violão do Bosco, o tamborim do lorde Gil e o agogô do Tony. Segura a cuíca, Zé Kalos! E abram alas pro Adolpho, o Ambrósio, o Tião, o Weber, o Wellington, o Gilberto e a mulata do Arthur passarem.
mercoledì, aprile 09, 2008
Lord Gil e outros nobres sambentistas

2007.02.27
Estava virando obsessão. Queria, porque queria saber notícias dos meus velhos amigos. Passei horas, dias a fio, procurando por eles em internet. Digitava o nome deles e ia de página em página até encontrar algum indício. Pisava todo tipo de picada internáutica atrás de uma foto, uma nota, uma menção. Quando encontrava fazia festa. Mas entre o virtual e o real tem no meio um matagal que é difícil atravessar. E foi assim, com aquele espírito bandeirante, que me embrenhei na mata fechada pelos anos e pela distância a procura das pedras preciosas do meu novo mundo passado: meus amigos do Colégio de São Bento. Penetrando a mata escura fui encontrando meu pai português medieval ambicioso alucinado e simples que descobria um mundo virgem amavelmente selvagem e feroz e minha mãe índia assustada e apaixonada e meu pai-irmão tupi or not tupi que lutava, matava, fugia, morria mas que não desaparecia e meu pai irmão mãe e amante negra revoltada e resignada que procurava outros seres assim esculpidos na saudade enlouquecida por um futuro passado que cético, sem dúvidas tinha certeza de encontrar. E reencontrando-os me encontrei! É surpreendente e emocionante sentir a vitalidade renovada e multiplicada com que cresce a árvore abatida quando acontece de brotar. E brotou, brotamos. Sinto florir em mim, em nós, uma amizade mais forte e junto com ela uma vida mais forte e urgente. Depois que os temores, as profecias, as dúvidas e as certezas se realizaram e se desmentiram umas às outras e que se transformaram em fato e mito, agora tudo está pronto para se transformar novamente. A vida se cumpriu, então que se cumpra até o fim, ainda que se na sua transcriação de um destino que era diverso. Então eu preciso agradecer Internet e à secretária anônima do departamento de serviço ao cliente Sadia que respondeu ao meu pedido surreal de ajuda para encontrar meu amigo desaparecido Ottoni Fontana. Pra não falar da minha desconhecida amiga portuguesa Amélia Pais que me trouxe Gilfredo Pinheiro, abraçado a Ungaretti, no seu Barco das Flores de blog poesia. Agradeço também à Tânia Marques, Lilian Santos e ao Nieri. Mas o milagre milagroso aconteceu foi quando quem eu não procurava me procurou e me achou, justamente através deste meu blog véio: José Carlos Santana ou ZéK, como o rebatizou Bosco Brasil. A chama da amizade daquele grupo de moços do clássico AD se reacendeu com uma impetuosidade adolescentemente madura e ao redor desta fogueira de São ZéK, brincamos infantis Lord Gil, TTony, Boscozinho e a Paraibana do Glicério. E que a vida se cumpra feliz, ainda que não comprida.
Poema de Ungaretti com a transcriação de Gilfredo Pinheiro
Sono uma creatura
Come questa pietra
del S. Michele
così fredda
così dura
così prosciugata
così refrattaria
così totalmente
disanimata
Come questa pietra
è il mio pianto
che non si vede
La morte
si sconta
vivendo
Sou uma criatura
Como esta estátua
de São Miguel
tão fria
tão dura
tão seca
tão árdua
tão totalmente
inanimada
Como esta estátua
fica o meu pranto
que não se vê.
A morte
se cumpre
vivendo.
domenica, aprile 06, 2008
Dor de Dente e Dor de Alma

2007.02.26
Hoje Marina teve uma dorzinha de barriga. Isso me fez pensar nas dores que temos que enfrentar nesta vida. Por muitos anos tive como fiel companheira uma queimação no estômago que ninguém conseguia eliminar, até que um dia dois cientistas lá longe na Austrália, Robin Warren e Barry Marshall, descobriram a marvada heicobacter pylori. Assim, quando já tinha-me acostumado com a idéia de ter que conviver com aquela incômoda hóspede, fiz o novo tratamento e nunca mais tive notícias daquela famigerada gastrite. Outras dores mais agudas como dor de dente, dor de ouvido ou aquela dor que alguns adolescentes acabam contraindo por andar com más companhias, todas elas vieram e passaram com ajuda da santa medicina. Mas as dores mais doídas, aquelas que fazem a gente enlouquecer, são as dores da alma. Um amor traído ou não correspondido, uma injustiça sofrida, uma calúnia, um sentimento de culpa, a perda repentina de um familiar ou ainda pior que isso tudo é testemunhar impotente o sofrimento de uma pessoa querida. Pra estes males não há remédio senão o passar do Tempo, ou a força interior que vem de algum lugar misterioso. O único tratamento que, na minha experiência, pôde aliviar um pouquinho estas dores da alma foi uma overdose de amor ministrada pelas pessoas queridas. Então começaram chover imagens de pessoas que amo e que alguma vez remediaram a minha dor: Adolpho, Guto, Nenê, Baixinho, Gi, Marina, Gilfredo, Bosco, Fernando, Marco - 52, Tony, Chico, Paola, João de Deus, Dauro, Gianluca, Erik, Hilde, Maitè, Fred, Moisés, ZéK, Ambrósio, Fábio, Rita, Alípio e aí a chuva virou temporal e o açude começou sangrar de alegria e foi festa grande no sertão do meu coração vagabundo.
martedì, gennaio 09, 2007
Generazione a Scoppio Ritardato

Foto: Marina
2007.01.08
Abbiamo fatto pace il computer ed io. Abbiamo entrambi riconosciuto i nostri errori. Anche il vecchio buon scanner ha deciso di collaborare. Sono andato da De Angelis per ordinare il porta-pellicola FH-3 per il Coolscan: 44.00 Euro. Poi sono andato a piedi fino la Feltrinelli, circa 5 km andata e ritorno. Cercavo “Carte d’Identità”, della Fabbri, consigliatomi dalla Professoressa Ivana Padoan, per la mia tesi del Master. E’ fuori catalogo. Ho fatto un salto da Alessandro Finucci della Biblioteca di Loreto e tutto a posto, tra alcuni giorni lo avrò in mano. Roberto Castra mi ha guidato via telefono per “risetare” il computer. Ho istallato un antivirus e adesso sto tranquillo per quanto riguarda il computer, ma sento che io ho preso un virus influenzale. Spero non dover andare in quarantena. Ho scattato alcune foto nel pomeriggio per documentare la disposizione dei quadri e delle foto esposte a casa. C’era una bella luce. Oggi, ascoltando Damasco, a Radio 3, ho sentito Francesco Piccolo che commentava la sua identificazione col sentimento di “generazione perduta” proprio di Scott Fitzgerald. Questo mi ha fatto ricordare un episodio successo nel 75 quando studiavo nel Colégio de São Bento, che vorrei un giorno raccontare. Ho pensato a Gilfredo Pinheiro, Ottoni Fontana, Bosco Brasil, Renato Ambrósio e a un altro sambentista, che ha fatto un tipo di manifestazione “sovversiva”, in mezzo alla dittatura militare, distribuendo noci ai passanti del Largo de São Bento ripetendo sarcasticamente: “o Brasil è feito por nozes”. Forse la nostra non è una generazione che ha fatto cilecca, ma semplicemente sarà a scoppio ritardato. Almeno lo spero.

